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9ª edição do Cinecipó, festival do filme insurgente, será online e gratuita

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Em busca de pluralidade e diversidade, o Festival Cinecipó, durante um mês, apresenta filmes insurgentes com o objetivo da busca pela apreciação da diferença. Idealizado por Cardes Monção Amâncio e Daniela Pimentel de Souza, o evento, que antes se limitava à Serra do Cipó e Belo Horizonte, neste ano ultrapassa os limites territoriais e tem alcance nacional com a programação online. Na programação serão mais de 60 filmes, oficinas e palestras que acontecem entre os dias 30 de novembro e 28 de dezembro, gratuitamente, no site www.cinecipo.com.br .

“O festival lida com variados fluxos de narrativas e muitas delas alcançaram recentemente o cinema: circulavam na oralidade, estavam sob o pó de documentos forçosamente esquecidos ou foram subsumidas por narrativas hegemônicas”, reflete Cardes. “Por outro lado, nosso cinema segue reavivando batalhas que ainda não foram vencidas e que enquanto a justiça não for feita, não podem ser esquecidas. Cinema que se ocupa em forjar a História”, complementa Daniela.

Separado em quatro programas semanais – derivas, vigílias, retomadas e sonhos -, compostos por aproximadamente 15 curtas e três longas, nesta edição predominam questões de gênero, LGTQI+ e raciais. Também se fazem presentes temas como questões ambientais, ditadura civil-militar, ocupações rurais e urbanas, entre outros. “A troca semanal de programas foi uma solução para termos o público interessado no festival durante um mês. O evento terá sempre novidades e esperamos gerar expectativa dos próximos filmes e debates da semana seguinte”, explica Cardes. A coordenação da curadoria fica a critério de Cardes, Fabiana Leite e Luís Flores e, neste ano, foi feito uma chamada para jovens curadores de até 25 anos para participar dessa seleção. Assim, os jovens pesquisadores, críticos e realizadores Carina Maciel, Diego Souza, Gabriel Araújo, Iakima Delamare, Larissa Muniz e Pedro Rena participaram deram valiosa contribuição ao processo.

Em Derivas, a programação explora o experimental e performático com filmes que enunciam, pela relação intensa dos corpos em cena, conflitos, afetos e inquietações, em um mundo que precisa lembrar e aprender a olhar sem subjugar.

Na semana de Retomadas, produções que caminham no sentido contrário da perda de memória e velocidade de informação/compartilhamentos dão o tom com novas narrativas que convocam de diferentes maneiras, a palavra e a fala – seja por meio de testemunhos, depoimentos, cartas, poemas ou rememorações.

Com o desejo de elaborar histórias, experiências e afetos que vão além da lógica imagética do realismo, em Sonhos serão disponibilizados filmes com propostas variadas que buscam compreender universos a partir de registros sensíveis, de diferentes perspectivas culturais, cosmológicas e/ou imaginárias.

Na mostra Vigília, produções realizadas em prol de lutas e que refletem as emergências dos nossos tempos, conectando a tensão com o real em imagens cinematográficas.

Sessão Especial Fernando Pino Solanas, em homenagem ao cineasta argentino falecido de Covid-19 em novembro de 2020, na qual um filme do diretor será comentado por pesquisadores do cinema ativista latinoamericano.

Seminário Cinema e política contará com 3 encontros semanais e cada dia um escritor/pesquisador relevante no campo político comentará um filme à luz de processos históricos e do cenário atual.

Mostra Especial “Saberes Tradicionais UFMG” com diversos filmes realizados no âmbito deste projeto acolhe os saberes das culturas afrodescendentes, indígenas e populares e procura abrir a universidade a experiências de ensino e pesquisa pluriepistêmicas.

O CINECIPÓ

O Cinecipó – Festival do Filme Insurgente – teve sua primeira edição em 2011, na

Serra do Cipó (MG). A proposta era realizar quatro dias de cinema ao ar livre,

na praça e de graça, levando ao público filmes que não têm espaço na mídia

convencional. Até 2015, o festival foi realizado na Serra do Cipó, Lapinha e Santana do Riacho. Também já foram realizadas mostras em outras partes do Brasil como Pernambuco e Brasília. O coletivo produziu exibições itinerantes no Espaço Comum Luiz Estrela, Quilombo dos Marques, Quilombo do Palmital e em escolas públicas.

Além dos filmes, o festival também oferece oficinas e workshops nas áreas de cinema, artes plásticas e música voltadas para a questão da sustentabilidade.

Por causa da pandemia da COVID-19, em 2020 o festival acontece online e tem duração de um mês.

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